Cabral, Governador do Cartão-Postal

fevereiro 27, 2010

Parece óbvio que governantes governem olhando para quem mais precisa. O cidadão abonado não precisa que o Estado provenha saúde para a sua família ou educação para seus filhos. Seu lazer está garantido, assim como suas três refeições diárias.

No Rio de Janeiro, esta lógica foi subvertida. O Governador Sergio Cabral volta suas ações para os mais ricos e governa para os formadores de opinião. Vejamos o caso das UPPs, unidades de polícia pacificadora. Sem nenhuma dúvida, é demanda antiga do povo do Rio uma ação enérgica contra o crime organizado. Não é mais possível que aceitemos a presença de traficantes portando armamento pesado, vendendo drogas e constituindo um verdadeiro estado paralelo dentro de nossa sociedade.

Mas Cabral resolveu jogar para galera. Começou pelo Santa Marta, morro pop-star, pano de fundo de vídeos de Michael Jackson e Beyonce. “Pacificar” o Santa Marta dá Ibope, é o morro retratado no livro “Abusado, o dono do Dona Marta”, foi palco de uma guerra midiática protagonizada por Zaca e Cabeludo nos anos 80, época em que a Rede Globo, afim de destruir a reputação de Brizola, iniciou um processo “tarantiano” de retratação da cidade. Quem não se lembra das sequências cinematográficas dos “arrastões”?

A estratégia de “pacificação” prosseguiu pelos morros da Zona Sul. Cantagalo, Pavão, Tabajaras, Chapéu Mangueira e Babilônia foram agraciados. Em breve promete-se pacificar o Vidigal e a Rocinha (coisa que torço para que aconteça, mas duvido). O que pretende Cabral com isso? Jogar para a galera.

É claro que estas comunidades ansiavam pela sua “libertação”. Pergunto: por que não iniciar pelo Complexo da Maré, pelo Batan ou Complexo do Alemão? Respondo: porque não tem o mesmo apelo. São locais distantes dos cartões-postais da cidade e, na verdade, o que se pretende é varrer a sujeira para baixo do tapete. Cabral governa para o cartão postal. Sabe que a violência só pode ser combatida com uma profunda reestruturação social. Seu projeto não é reestruturante, é eleitoreiro.

Assim como ocorre com as UPPs, o projeto de democratização de sinal de acesso grátis à internet está disponível em Copacabana, Leme, Ipanema e Leblon. Por que não começou nos calçadões de Campo Grande ou Madureira? Não parece óbvio que os moradores da Zona Sul tenham mais facilidade de acesso à web que os moradores da Zona Oeste ou do subúrbio?

Suspeito que um dos motes de Cabral para a campanha que se aproxima é a pacificação dos morros sem UPP no 2º mandato. Bom gancho, mas ele sabe que não conseguirá. A UPP do Santa Marta conta com mais policiais disponíveis que a cidade de São Gonçalo, com seu milhão e meio de habitantes. Não há policiais suficientes para ocupar as comunidades dominadas pelo tráfico.

Anda mal, mesmo, o Governo Cabral. Houve a escandalosa prorrogação do prazo de exploração para a (péssima) concessionária do metrô para mais trinta anos. Isso no último dia de 2007, quando quase ninguém lê o Diário Oficial. O que falar da compra, com sobre-preço superior a 50%, dos 30 mil laptops para os professores da rede pública? E a clientela do escritório de advocacia da primeira-dama, que atende diversas empresas que tem contratos com o Governo?

Espanta-me também como a Rede Globo, outrora tão combativa (de Brizola a Rosinha, com especial atenção ao Governo Garotinho) se cala ante tantos absurdos… será que as polpudas verbas publicitárias estatais ajudam a explicar?

Consola verificar o quão frágil é a candidatura Cabral. A esmagadora maioria dos Governadores oscila nas pesquisas de opinião entre 50% e 60% de intenção de voto para o pleito de outubro. Serginho se esforça para manter os 30%. A entrada de Gabeira no quadro dificultou ainda mais a vida dele. Por isso constrange Lula e o PT a implodirem a candidatura Garotinho. Dá com os burros n’água.

Esse fim de ano promete. Para quem gosta de política, 2010 será um ano divisor de águas. É o fim da era Lula. E tomara que, para o povo do Rio, o início de um tempo onde se olhe para quem mais precisa e, não apenas, para os cartões-postais.

por BRUNO BONETTI

O sentido da vida

janeiro 4, 2010

Amanhã volto à rotina de trabalho, depois de uma brevíssima interrupção de 4 dias. Como é ano novo, a tendência é repensarmos o porquê dessa vida que levamos.

Cada um fala do mundo focando em sua vila e eu falo da vida olhando pra minha. E, se questionar é a melhor forma de entender, questiono-me: de que vale isso tudo?

Acordar, faculdade, trabalho 1, trabalho 2, casa, sono e acordar de novo. Muitas vezes estou tão cansado física e mentalmente que falta motivação (ou disposição) para sair nos finais de semana e viver a vida, ou seu lado mais divertido.

Pergunto-me sempre: o que me diverte? Francamente, não sei… a maioria das vezes busco é matar o tempo e não aproveitá-lo. Então, o que faria com o tempo livre se não tivesse a vida tão corrida?

Impressiona a eterna insatisfação, se busca sempre o que não se tem. Querer voltar pra casa quando se está trabalhando e sentir falta da rotina quando se está ocioso.

Dizem que a insatisfação é a mola mestra que leva aos grandes progressos na vida. No meu caso gera é uma tremenda angústia.

Então seguirei acordando cedo, indo ao trabalho 1, ao 2, voltando pra casa, dormindo e matando meu tempo quando cansado nos finais de semana. Qual o sentido de tudo isso?

por BRUNO BONETTI

Verdade seja DITA

novembro 1, 2009

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Na semana que passou, o Brasil recebeu a visita de Dita Von Teese, uma reinvenção das pin-ups americanas, conhecida como rainha do burlesco, seja lá o que isso for. Em sua biografia, um casamento com Marilyn Manson, roqueiro andrógeno que, alega-se, teria inspirado os jovens Eric Harris e Dylan Klebold a praticarem a matança que ficou conhecida como Massacre de Columbine, inspirados por sua música “satânica”.

A modelo (?) esteve no Brasil para divulgar a “Be Controversial”, campanha da marca de bebida Cointreau, da qual é embaixadora mundial. Veio, em troca de um cachê de U$ 75.000,00, fazer um strip-tease para os ricos e famosos paulistanos.MarilynMansonPromo

Poderia aqui tecer críticas a respeito do lixo cultural americano que nos é empurrado goela abaixo. Falar do nosso espírito colonizado, demonstrado no beija-mão que os formadores de opinião de nosso país fizeram a Dita. Buscar o entendimento do porquê uma sex-symbol americana busca em Manson, figura assexuada, sua cara-metade. Mas não… quero tratá-la sem os “óculos” que usamos para rotular as pessoas.

Foi impressionante o efeito causado por essa mulher branca como cera, esguia, num país que valoriza as popozudas. Assisti sua entrevista no Jô e vi algumas matérias em telejornais. Sempre fala baixo, seus gestos são mínimos, pouco sorri e, quando o faz, é de maneira contida. No palco, pouco revela, less is more. Deixa um gosto de quero mais. Mistério…

Creio que aí reside seu principal atributo: não conseguimos desvendar essa personagem, não entendemos os mecanismos que a tornam atraente, não penetramos em suas intenções. Seu olhar nos toca sem razão e um simples esticar de pernas é um evento. Veio devagar e foi sorrateira. Ensinou aos brasileiros a diferença entre ser sexy e gostosa.

por BRUNO BONETTI

Sinais

setembro 16, 2009

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Dia 29 estréia, no canal a cabo FOX, uma série chamada Lie to Me. Basicamente tratará da vida de um investigador criminal que busca, através do gestual e na fisionomia de suspeitos, respostas para crimes sem solução.

Taí algo que realmente me atrai. Pela extrema vantagem de desvelar o que meu interlocutor oralmente omite. Poder penetrar no instinto de uma pessoa sem ela sequer se dar conta. É ou não um sonho?

Gestos e expressões fisionômicas dizem muito mais que palavras. Transmitem informações de fato verdadeiras, já que somos treinados para medir o que dizemos, coisa que não podemos fazer com esse tipo de linguagem. Porque gestos e fisionomia falam mais do instinto. Não são manipuláveis…

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Claro que do básico todos sabemos. Pernas ou braços cruzados explicitam uma situação de defesa, braços abertos, acolhimento, testa franzida, preocupação. Mas é tão grande o cabedal de informações que o corpo pode transmitir de forma não falada que este se torna um imenso universo inexplorado.

Que sinal o chefe emite quando propenso a aumentar o seu salário? Que movimento de uma mulher traduz seu interesse afetivo? Como descobrir que uma criança mente, que um adolescente esconde? Sou péssimo decifrador e, se alguém conhecer um curso desta matéria, é favor me avisar.

Vou mergulhar na história de Cal Lightman e tentar, nem que por osmose, absorver um pouco de sua sabedoria, já que Lie to Me é inspirada na vida de Paul Ekman, estudioso do tema desde os anos 60. E, vá lá, para não dizer que perdi de zero: cara feia pra mim sempre foi sinal de fome!

Por BRUNO BONETTI

Um mais um é sempre mais que dois

setembro 9, 2009

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Ontem se viu uma clara demonstração do que a sociedade civil organizada é capaz de fazer.

Discutia-se na ALERJ o novo plano de carreira dos professores do estado. A proposta do governo achatava as conquistas históricas da classe. Estava tudo armado entre executivo e legislativo para a aprovação deste projeto. Só que eles não contavam com a força do povo.

Armou-se uma tremenda manifestação na frente do Palácio Tiradentes.  Diversos diretores de escola, professores e alunos gritavam palavras de ordem alertando aos legisladores contra a eminente covardia. Três mil pessoas, cientes de seus direitos e seu valor, se insurgiram contra tal medida.

Chega a polícia e baixa o porrete. Resultado: 13 feridos. Mesmo com a repressão estatal, ninguém arredou pé. Não baixaram a cabeça, não se intimidaram. É difícil demover quem tem razão!

Reunião pra cá, reunião pra lá, o recuo: os direitos dos profissionais da educação estavam garantidos! Evidente que a mobilização popular mudou o rumo das coisas. A vontade do povo prevaleceu!

Mais uma vez se comprovou a força do ditado popular: o povo, unido, jamais será vencido.

 

por BRUNO BONETTI

O país das maravilhas

setembro 4, 2009

Semana passada reencontrei um grande amor… nada combinado, mesmo porque, se fosse, não seria tão bacana… pura armação do destino, coisa que, por não poder controlar, detesto.

Era um dia ensolarado e tinha levado o livro “Free” (citado no post anterior) pra ler. Não estava afim de encontrar nem conversar com ninguém. Queria apenas tirar o mofo e me dedicar à leitura. Estava virado pro sol, de costas pro mar, de frente pra rua.

De repente vem esse amor com um amigo, cada um com um bebê no colo, andando em minha direção. Já havia me visto, então deve ter percebido o tamanho de minha surpresa e o impacto de sua aparição!

Foi tão calmo, tão natural… nada de taquicardia ou constrangimentos, fluiu… Sabe quando, em um filme, o personagem fala com um interlocutor e só vê seus lábios se movendo, pensando em algo alheio a conversa? Aconteceu comigo…

Pensamentos mil me lotaram, o que teria me acontecido desde o fim até aquele recomeço??? Aquela menina que outrora arrebatara meu coração agora eram duas, mãe e filha… e como a maternidade lhe fez bem…

O meu amor ainda está lá, pleno, metamorfoseado… Tantos anos depois entendi que querer bem é a melhor forma de conjugar o verbo amar…

Só você mesmo para me fazer falar de amor por aqui…

por BRUNO BONETTI

A nova lei do Marketing

agosto 2, 2009

Al Ries é um dos papas do marketing. O vídeo acima é a primeira das 5 partes de sua palestra As Leis Vencedoras do Marketing. É um clássico! Estão lá descritos princípios e ensinamentos imprescindíveis para qualquer pessoa que deseje se comunicar com seu público ou maximizar o potencial de visibilidade de sua marca ou serviço.

No jornal O Globo de hoje, 02/08/2009, na coluna de Elio Gaspari, deparei-me com aquela que deve ser a nova lei do marketing. A lei do grátis. Gaspari resenha o livro “Free-O futuro de um preço radical”, de Chris Anderson. O autor garante que neste século assistiremos o crescimento da economia das coisas sem custo, como o Google, a Wikipédia e dos softwares livres.

No livro, Anderson conta sobre uma pesquisa realizada em um prédio público. Foram oferecidos aos passantes dois tipos de chocolate: trufas de chocolate da Lindt (templo máximo do chocolate suíço) a 15 centavos e as “Kisses”, da Hershey, de gosto popular e qualidade infinitamente inferior, a 01 centavo. O bom senso, a esse preço, prevaleceu e 73% dos fregueses optaram pela Lindt.

Bastou que se baixasse um centavo no preço de ambas que a cabeça do público “tiltou”: 69% preferiram as trufas “Kisses”. Conclusão de Anderson em suas próprias palavras: “Há o mercado do zero e há o outro, o dos demais preços”.

Ao nosso amigo Al Ries fica a lembrança: não basta ser o precursor no mercado, o primeiro na lembrança ou o melhor na percepção do consumidor. Tem que ser de graça!

por BRUNO BONETTI

Recomeçando

junho 25, 2009

ESPM3

Estou concluindo agora o 1º período da Faculdade de Comunicação e resolvi fazer um pequeno inventário desses dias. Falar apenas em estudar publicidade desmerece o que é estudar na ESPM. O material humano e o mobiliário são simplesmente imbatíveis. Excelentes professores e instalações. Os alunos (e eu sou um deles) transbordam seu orgulho por estudar naquela escola.

 O começo, porém, foi esquisito… imaginem o estranhamento de um jovem senhor de 36 anos (eu) adentrando numa sala de aula repleta de adolescentes. Foi um choque! Aquela excitação típica de quem acabou a escola e oficialmente adentra o mundo adulto me gerou sentimentos confusos. Por um lado foi um sopro de renovação e motivação, alegria. Por outro a difícil aceitação de ter perdido tanto tempo. Enfim, eram novos amigos, novas descobertas, novas perspectivas. Eu já tinha vivido aquilo tudo há quase 20 anos e estava a recomeçar.

 A primeira semana foi de lascar! Trote… fui avacalhado por garotos que tem, tecnicamente, idade para ser  meus filhos. Poderia me alienar, não participar e isso, certamente, seria aceito pelos colegas. Mas naquele momento eu não poderia, nem queria, ser diferente. Me submeti. E foi bacana!

  Vieram as aulas. Que bom ter descoberto logo que estava no lugar certo. Todas as expectativas que depositei foram superadas. Aprendi muito em 2 bimestres. Melhor, esse aprendizado pôde ser aplicado imediatamente. E redescobri o prazer de estudar. De aprender. De evoluir.

 Engraçado ter contato com sentimentos outrora tão distantes como temer a prova do dia seguinte, os prosaicos deveres de casa, os trabalhos em grupo… foram muitos momentos de satisfação e algumas frustrações (é como a vida, afinal). Me senti desafiado. E o fato de ter colegas tão brilhantes e promissores estimulou-me ainda mais. Sempre fui competitivo e não queria ficar pra trás. Acho que convenci. Me convenci.

 Estou aguardando as notas para saber se fui aprovado. A agonia final. Será que se não trabalhasse a tarde teria me dedicado mais? Estaria mais confortável? Inquietação… enfim, independente de tudo a conclusão só pode ser uma: a experiência tem sido um sucesso!  E vale a pena!

 

Por BRUNO BONETTI

A blindagem da Petrobras

junho 19, 2009

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A gasolina, no Brasil, é uma das mais caras da América Latina. E isso é de se espantar, tendo em vista a proclamada auto-suficiência alcançada por nossa produção.

Há outras distorções que chamam atenção. O Brasil vende gasolina para Argentina. Lá, o consumidor paga, na bomba, entre 1,99 e 2,30 pesos. Em valores de hoje, o litro da gasolina custa aproximadamente R$ 1,85. Pergunto: se nós produzimos e exportamos, por que nossos consumidores pagam mais caro que os “hermanos”? Para citar outro caso, no Paraguai o litro da gasolina custa, aproximadamente, 5 mil guaranis, por volta de 2 reais. E o Paraguai não é produtor de petróleo… fica a indagação: como em Assunção se vende gasolina mais barata que no Rio de Janeiro? Vale lembrar também o caso da Venezuela, grande produtor mundial, que vende o litro da gasolina a R$ 0,07 (sete centavos de real) para seu povo.

Ano passado o setor de Petróleo viveu aquela que talvez tenha sido a maior crise de sua história. O preço do barril caiu de U$ 140 para U$ 37. Mesmo diante deste quadro, a Petrobrás registrou um lucro de R$ 33 BILHÕES e o preço ao consumidor não caiu um centavo.

É lógica a importância estratégica da Petrobrás para o Brasil, sua excelência, o número de trabalhadores que ela emprega. Sei, também, que um bom número de brasileiros é acionista da empresa. No entanto, é justo que a totalidade de nossa nação pague os dividendos dessa crise, blindando a Petrobrás?

por BRUNO BONETTI

A Mentira

junho 13, 2009

pinoquioJá pensou se vivêssemos sob o fogo incandescente da verdade? Seríamos mutilados e mutiladores nas 24 horas do dia. Ser sincero e honesto é catastrófico. Não estamos prontos para isso. A mentira nos redime, nos salva… é o lado viável da verdade.

 por BRUNO BONETTI


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